Crítica: Mulher-Maravilha

Um dos melhores filmes da DC em anos.


Por: Diones Santana
Co-Redatora: Nicóli Cardozo
Mulher-Maravilha é um dos longas do gênero Super Herói mais esperados do ano. A personagem tem sua origem nos quadrinhos sendo uma das mais icônicas devido sua força, princípios e beleza. Ela já apareceu em séries, animações e games, mas nunca a tínhamos visto numa telona de cinema, até a chegada do filme Batman Vs Superman - A origem da Justiça (2016).
Com o anúncio do filme muitos fãs ficaram curiosos a respeito de quem a Warner Bros iria escalar para o papel da heroína. Para a surpresa de todos foi selecionada Gal Gadot, uma atriz nascida em Israel que muitos não conheciam já que seu maior trabalho foi na franquia Velozes e Furiosos. Além disso, ela também foi coroada Miss em seu país no ano de 2004. Quando Gadot ganhou o papel recebeu muitas críticas por não ter muita experiência como atriz e não possuir o “físico adequado” para o papel. Porém, a atriz não se deixou abater pelas críticas e começou seus preparativos para interpretar a personagem.


Após sofrer com dois filmes mal avaliados (Batman vs Superman e Esquadrão Suicida) a DC analisou seus erros e acertos e percebeu que algo diferente deveria ser feito com Mulher Maravilha, sabendo que o público atual é mais exigente principalmente as mulheres no que diz respeito ao tratamento dado para as personagens femininas. Então, os produtores da DC devem ter concluído de que o melhor a se fazer seria contratar para a direção deste filme uma pessoa que já tivesse um trabalho bem reconhecido, portanto, quem melhor para dirigir um longa sobre uma heroína do que uma mulher experiente? Muito provavelmente por esta razão a direção de Mulher Maravilha ficou por conta de Patty Jenkins, mais conhecida por seu trabalho em Monster (2003).
O filme começa nos dias atuais após os acontecimentos do filme Batman Vs Superman A heroína trabalhando em um museu. Diana revê a foto que o Batman mostra para ela no filme BVS e a história tem início a partir deste ponto. O filme vai ao passado da protagonista quando ela ainda era uma criança e vivia isolada e em paz na Ilha de Temiscira com as outras amazonas e sua mãe a Rainha Hipólita (Connie Nielsen) que a amava muito e por isso evitava que ela se aproximasse dos treinamentos de combate das guerreiras, porém sua tia a General Antíope (Robin Wright) pensa o contrário de sua irmã e secretamente ensina Diana a lutar.  A menina inocente não percebe que há um excelente motivo para sua mãe a proteger tanto. Os anos passam e enfim a ação começa somente quando surge o soldado Steve Trevor (Chris Pine) e consequentemente ele traz consigo a Primeira Guerra Mundial. O personagem é aprisionado pelas Amazonas que exigem informações a seu respeito e também do conflito. Ele se vê obrigado a revelar tudo o que sabia sobre os horrores da guerra e diz ainda que os humanos precisavam de ajuda. Diana se comove com o que ouviu e decide ajudar os homens, mesmo contra a vontade da mãe. A partir de então ela passa por situações que aos poucos a transformam na Mulher Maravilha.

Além do bom trabalho de Nilsein e Wright o filme também conta com outras excelentes atuações como a de Helena Anaya que interpreta a Doutora Veneno e Danny Huston no papel do General Ludendorff e David Thewlis como Sir Patrick.
A diretora Jenkins explorou o que faz de Diana uma das maiores heroínas das HQs: suas habilidades como guerreira e sua extraordinária força. A beleza física também é um dos traços marcantes desta personagem, mas a aparência dela não tem peso maior do que a sua história, características psicológicas e suas ações. A Diana deste filme é uma mulher forte, decidida, independente e que sabe se impor não somente pela força física, mas também por meio do discurso ao defender seus ideais.  Foi interessante o contraste feito entre a realidade das poderosas amazonas em Temiscira e a exclusão social que as mulheres sofriam em Londres que durante o período retratado no filme lutavam em silêncio pelo direito feminino ao voto. Inclusive, quando Diana chega na Inglaterra ela é levada até uma loja para comprar roupas mais adequadas para o ambiente londrino e após experimentar inúmeros vestidos ela se sente confortável somente nas vestes típicas das mulheres sufragistas que ficaram conhecidas na história britânica por serem o primeiro grande grupo feminista.
A parte interessante da escalação de Gadot para este papel é que por ela ser uma mulher de origem israelense e ter traços físicos típicos dos povos desta origem (cabelos e olhos escuros, pele morena), faz com que muitas mulheres e meninas de várias partes do mundo se identifiquem com ela (mesmo que de forma inconsciente). O universo da ilha de Temiscira deste filme também teve sucesso neste aspecto, pois há uma variedade de etnias nas amazonas: vemos guerreiras negras, morenas e brancas - algo semelhante com o que foi feito no live action de A Bela e a Fera deste ano.

Outro aspecto marcante do longa são as cenas de ação: bem coreografadas, épicas e empolgantes. Ver as amazonas lutarem enche os olhos de qualquer um: homens e mulheres.
É claro que o filme não é perfeito, ele apresenta alguns problemas como, por exemplo, o final que ficou bastante genérico e muito autoexplicativo, sendo que não havia necessidade de tanto esclarecimento. O vilão, apesar de ser bem interpretado, poderia ter tido mais sucesso se não fosse tão convencional. Quanto a interpretação da Gal Gadot, mesmo tenha transmitido muito bem a essência da Diana ela apresentou dificuldades de atuação nas cenas mais dramáticas. 
Apesar de alguns problemas, Mulher Maravilha teve muitos acertos e nota-se que houve esforço coletivo para que este filme desse certo e no fim das contas deu e valeu a pena.
Nota Diones Santana: 10
Nota Nicóli Cardozo: 8

Compartilhe no G+

Sobre: Unknown

    Comente
    Comente com Facebook

0 comentários:

Postar um comentário